terça-feira, 15 de maio de 2012

curso de ASTROLOGIA & CINEMA


introdução


Os trechos dos 12 filmes que serão exibidos e analisados ao longo deste curso têm por objetivo demonstrar a visão de vida característica de cada cineasta visto que cada um aborda e enfoca a existência por um ou outro prisma, por um ou outro ângulo - e isto por que cada um tem sua própria cosmovisão.

E esta cosmovisão é de natureza astrológica: a distribuição dos sete planetas ao longo das doze casas astrológicas determina justamente a maneira como cada pessoa vê e interpreta o mundo. Desse modo, ao se conhecer, por um lado, a visão de mundo que caracteriza cada cineasta e, por outro, o mapa astrológico de cada um, percebe-se nitidamente a relação existente entre uma coisa e outra, isto é, entre as doze casas astrológicas e as doze perspectivas humanas.

E é assim que este curso se realiza, ao longo dos trechos exibidos e dos comentários realizados: percebe-se como um padrão estético se desenvolve e se mantém ao longo de toda a narrativa fílmica; padrão, este, que traduz a visão particular do cineasta e que, por sua vez, tem relações de analogia com determinada configuração astrológica.

Por conta disso, este curso pode parecer apenas um curso de Astrologia ou mais um curso de Cinema analisado sob uma forma diferente. No entanto, ele não se resume nem em uma coisa e nem em outra visto que o que está em jogo é o modo muito particular como a cognição individual se revela numa obra de arte. Isto ata, sem sombra de dúvida, o campo psicológico ao campo estético, só que com um pequeno detalhe: este nó se torna garantido e realizado em campo cosmológico, o que por si só seria suficiente para classificar este curso como filosófico ou metafísico, por causa das bases em que se fundamenta e das reflexões que ele suscita.

Por isso, este não é um curso nem de Astrologia e nem de Cinema mas um curso sobre a cognição humana, em especial sobre o modo como ela é determinada pela configuração do cosmos e como ela se expressa numa obra de arte, unindo, num único conjunto reflexivo, o campo cosmológico, psicológico e estético.

No entanto, como este curso permite reconhecer a cosmovisão individual, ele se transforma também num instrumento de autoconhecimento visto que fornece informações importantes a respeito do modo muito particular como eu, você e os outros encaramos e enfocamos a existência, bem como dos comportamentos psicológicos daí decorrentes. Por isso, mais do que um curso introdutório sobre Astrologia, este curso visa demonstrar a base cognitiva dos nossos comportamentos e que, se às vezes nos desentendemos uns com os outros, é porque cada um enxerga o mundo a seu próprio modo.

cronograma do curso

aula 1: apresentação teórica: o mapa astrológico como diagnóstico cognitivo
• Gordon Allport e a Ordo Amoris: a hierarquia de interesses pessoais
• Ludwig Klages e a direção preferencial da atenção
• As 12 Direções da Atenção Humana e as 12 Casas Astrológicas

aula 2: avaliando a existência sob a perspectiva da identidade
considerações a respeito da imagem que tudo passa e projeta
filme analisado: Persona (1966) de Ingmar Bergman

aula 3: avaliando a existência sob a perspectiva da alteridade
considerações a respeito da influência do outro em nossa vida
filme analisado: Zelig (1983) de Woody Allen

aula 4: avaliando a existência sob a perspectiva da vitalidade
considerações a respeito do prazer que as coisas podem oferecer
filme analisado: Asas do Desejo (1987) de Wim Wenders

aula 5: avaliando a existência sob a perspectiva da adversidade
considerações a respeito do risco e da tensão que as coisas podem oferecer
filme analisado: O Homem que Sabia Demais (1956) de Alfred Hitchcock

aula 6: avaliando a existência sob a perspectiva da comunicabilidade
considerações a respeito das idéias explicitadas e ainda explícitas
filme analisado: Daunbailó (1986) de Jim Jarmusch

aula 7: avaliando a existência sob a perspectiva da legalidade
considerações a respeito dos princípios que geram certezas e orientam
filme analisado: filme analisado: Paraíso (1987) de Diane Keaton

aula 8: avaliando a existência sob a perspectiva da interioridade
considerações a respeito da demanda por profundidade
filme analisado: Metrópolis (1927) de Fritz Lang

aula 9: avaliando a existência sob a perspectiva da coletividade
considerações a respeito da demanda por superioridade
filme analisado: O Grande Ditador (1940) de Charles Chaplin

aula 10: avaliando a existência sob a perspectiva da capacidade
considerações a respeito do domínio exercido e padecido
filme analisado: Ata-me (1990) de Pedro Almodóvar

aula 11: avaliando a existência sob a perspectiva da posteridade
considerações a respeito das perspectivas futuras e do projeto a realizar
filme analisado: Cinema Paradiso (1988) de Giuseppe Tornatore

aula 12: avaliando a existência sob a perspectiva da organicidade
considerações a respeito do todo e seu funcionamento equilibrado
filme analisado: Ilha das Flores (1989) de Jorge Furtado

aula 13: avaliando a existência sob a perspectiva da finalidade
considerações a respeito de um fim para o qual tudo caminha
filme analisado: E La Nave Va (1983) de Federico Fellini

aula 14: debate final
• há mesmo uma relação entre o mapa astrológico e a cosmovisão individual?
• confecção do mapa astrológico de cada aluno com a intenção de verificar tal relação.


Metodologia

Aulas expositivas, intercaladas com exibição de trechos de filmes, seguidas de análise e discussão dos mesmos e de leitura de textos. Tais textos serão entregues a cada aula e, ao término do curso, formarão uma apostila. Por ocasião da sua finalização, será calculado o mapa astrológico de cada participante.


público alvo:

Este curso se destina a artistas, psicólogos e astrólogos, bem como a todos aqueles indivíduos que queiram compreender melhor a álgebra da vida e o mistério da criação artística, aumentando sua bagagem cultural e aprimorando seu entendimento do ser humano. Desse modo, não é necessário ter conhecimento prévio de Astrologia para realizar este curso.


CRONOGRAMA:
um final de semana a cada mês:

MAIO 2012
dia 5, sábado = das 14 às 20 hs
dia 6, domingo = das 14 às 18 hs

JUNHO 2012
dia 2, sábado = das 14 às 18 hs
dia 3, domingo = das 14 às 18 hs

JULHO 2012
dia 30 de junho, sábado = das 14 às 20 hs
dia 1 de julho, domingo = das 14 às 18 hs

totalizando 28 hs/aula de curso.

realização:
REGULUS CURSOS, ASSESSORIA ASTROLÓGICA E COM LTDA.
Rua Estela, 515 bloco E cj.71 - Paraíso - São Paulo.SP - 04011-904
Fone: (11) 5549-2655 (aberto das 14h às 19h)

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quinta-feira, 30 de setembro de 2010

SEMINÁRIOS INTERDISCIPLINARES ASTROLÓGICOS

ou introdução ao curso de Astrocaracterologia
JUSTIFICATIVA DO CURSO

A Astrologia por diversas vezes foi chamada de “A Grande Ciência” ou de “A Grande Arte”, e isto ocorreu provavelmente por conta da grandeza e da superioridade do seu objeto de estudo: a relação entre a estrutura celeste e os diversos fenômenos terrestres e, em especial, o lugar que caberia a cada indivíduo dentro do cosmos – o que reconhecemos vagamente pelo nome de destino.

Por ter tal objeto, delicado e complexo, a Astrologia participou ativamente da formação e da educação do homem letrado até o início da Renascença, se tornando peça fundamental do currículo de grandes navegadores, arquitetos, médicos, astrônomos, filósofos e literatos. Por isso, a Astrologia sempre pareceu ocupar uma posição privilegiada dentre as outras ciências e artes, que lhe seriam inferiores, muito embora mantivesse com elas laços estreitos de parentesco e filiação – laços tão íntimos que, se forem devidamente estudados, poderão revelar o quanto todos estes saberes fazem parte de um único conjunto cultural, e o quanto a Astrologia ainda ocupa um lugar vital dentro deste conjunto.

Que lugar seria este? Por ser a Astrologia justamente o saber que estuda as relações entre o cosmos e o homem, ela pode se transformar numa chave para compreender um dos dilemas da cultura moderna: as pretensas relações entre as ciências naturais e as ciências humanas. Daí a importância do seu estudo – sobretudo, num franco diálogo com outros saberes, restituindo antiga familiaridade perdida.

SOBRE SUA REALIZAÇÃO

O curso em questão, realizado em forma de seminários abertos, visa explorar certos temas que fazem parte do imenso corpo de conhecimentos em que a Astrologia se apóia mas que nem sempre consta de um currículo regular ou é apresentado com o devido rigor e aprofundamento, se tornando, por isso mesmo, uma oportunidade rara para o próprio amadurecimento intelectual e profissional. Ele é, em suma, uma tentativa de abordar a Astrologia através do que o Ocidente melhor construiu em termos de conhecimento, dialogando com outras disciplinas já existentes com a intenção única de elevar o nível de compreensão e debate sobre o fenômeno astrológico.

Este curso será realizado ao longo de 10 aulas temáticas, ministradas num único final de semana do mês, podendo ser assistidas livremente, conforme o interesse do aluno. Estes SEMINÁRIOS servem de introdução, no entanto, ao curso de ASTROCARACTEROLOGIA e, para quem estiver interessado nesta formação, é só continuar assistindo as aulas que se seguem, conforme exposto no cronograma abaixo.


curso de ASTROCARACTEROLOGIA

A ASTROCARACTEROLOGIA foi elaborada em 1989 pelo filósofo Olavo de Carvalho que, inspirado na caracterologia de Ludwig Klages (1940), o caracterólogo por excelência, deu forma final às antigas observações que os escolásticos fizeram sobre as faculdades cognitivas e às relações que foram estabelecidas entre estas e os astros celestes pelo filósofo árabe Ibn’ Arabi (século XIII), desenvolvendo assim um instrumento atualmente indispensável para psicólogos, pedagogos, astrólogos e profissionais afins visto que ele proporciona uma avaliação da atenção individual, sendo, por isso mesmo, de extremo auxílio na área de desenvolvimento cognitivo, de orientação vocacional e existencial.

O curso de ASTROCARACTEROLOGIA visa estimular o leigo ou o já estudioso em Astrologia a desenvolver toda uma metodologia de investigação astrológica, compreendendo com maior discernimento tudo aquilo que porventura continua confuso ou até mesmo contraditório, desenvolvendo uma técnica de interpretação que permita diagnosticar a personalidade humana naquilo que ela tem de mais singular, com clareza e precisão.


PLANO GERAL DO CURSO

1ª parte: SEMINÁRIOS INTERDISCIPLINARES ASTROLÓGICOS – 10 aulas

O SEMINÁRIO INTERDISCIPLINAR DE ASTROLOGIA será realizado ao longo de 10 aulas temáticas, podendo ser assistidas independentemente, conforme o interesse do aluno. No entanto, este Seminário serve como introdução teórica ao curso de Astrocaracterologia, que será abordado nas aulas seguintes.

2ª parte: CURSO DE ASTROCARACTEROLOGIA – 10 aulas

O CURSO DE ASTROCARACTEROLOGIA será realizado ao longo de 10 aulas de conteúdo exclusivamente técnico e astrológico, que se seguem aos 10 Seminários Interdisciplinares. Para a realização destas aulas de conteúdo técnico, é necessário que o aluno tenha participado pelo menos de 5 Seminários Interdisciplinares.

duração total do curso
20 aulas mensais, ministradas num único final de semana do mês, com carga horária de 12 horas.

CRONOGRAMA DAS AULAS

:: dos Seminários Livres

AULA 1: ASTROLOGIA & COSMOLOGIA
AS DIVERSAS CONCEPÇÕES DE MUNDO E DE UM PROVÁVEL SENTIDO PARA A EXISTÊNCIA HUMANA
· a composição do quadro cósmico antigo e moderno.
· a Renascença: a mudança de visão, de paradigma, ou a grande ruptura epistemológica. O Homem ocupa o trono de Deus.
· a perda da noção metafísica e espiritual e a (in)conseqüente divinização da natureza e da sociedade.
· a ruptura entre as ciências naturais e humanas: a vida já não pode ser compreendida para além da matéria e do tempo.
· as Artes Liberais: sistema pedagógico que visava compreender, de maneira global, a dimensão natural, humana e divina.

AULA 2: ASTROLOGIA & ONTOLOGIA
O ESTUDO DO SER, PARA ALÉM DAS SUAS DETERMINAÇÕES FÍSICAS, PSICOLÓGICAS E SOCIAIS

· a misteriosa noção de substância e essência: o sentido da unidade e da integridade do ser.
· as Categorias e as Causas Aristotélicas: um método para compreender todos os seres e fenômenos.
· a perda da noção de essência imutável e a concepção do universo como um processo vivente e dinâmico.
· a natureza da singularidade humana: fruto supremo da existência. A realização do próprio ser. A estrutura da personalidade humana.
· a pesquisa estatística de Michel Gauquelin: mal entendidos entre a comunidade científica e astrológica.

AULA 3: ASTROLOGIA & EPISTEMOLOGIA
O PROCESSO DO CONHECIMENTO: DA PERCEPÇÃO INICIAL CONFUSA À LEI QUE REPOUSA O ESPÍRITO
· os 4 discursos Aristotélicos: o conhecimento lógico e científico como fruto e prolongamento do conhecimento intuitivo e mítico.
· Jean Piaget e o salto epistemológico: passagem do reino dos fatos para o reino dos princípios.
· Ciência, suas exigências e suas problemáticas: a evidência, os dispositivos de registro, a sistematização. Delimitação do campo, metodologia, conceituação unívoca, reavaliação crítica e periódica, unidade lógica e coerência externa.
· Astrologia e seus impasses: a discrepância entre a sua prática e a sua teoria.
· a lição de Max Weber: como compreender o mundo natural e humano.

AULA 4: CONHECENDO O SER HUMANO: A ANTROPOLOGIA FILOSÓFICA
A BIOGRAFIA COMO INSTRUMENTO PARA CONHECER O SER HUMANO

· a racionalidade intencional: a seqüência de atos necessários para se atingir um fim.
· Biografia e Destinologia: a unidade de um projeto vital mantido ao longo de toda a adversidade da vida.
· Honório Delgado: a presença, o ato e a biografia humana.
· “Eu sou eu e minha circunstância”: a vontade individual X a circunstância momentânea.

AULA 5: CONHECENDO O SER HUMANO: A PSICOLOGIA 1
A PSICOLOGIA COMO INSTRUMENTO PARA CONHECER O SER HUMANO

· história das idéias psicológicas: a confusão entre os instintos (triebe) e os interesses (triebfedem)
· Maurice Pradines: a sensação e o instinto como dimensões perceptivas e intelectuais. A emergência da consciência: dimensão espiritual da vida humana. O inconsciente normal e o patológico.

AULA 6: CONHECENDO O SER HUMANO: A PSICOLOGIA 2
A PSICOLOGIA COMO INSTRUMENTO PARA CONHECER O SER HUMANO
· em busca de uma causalidade psíquica: entendendo as causas do ato e do comportamento humanos.
· A psique: zona de indeterminação e liberdade que, ao introjetar certas determinações, cria o ego. O ego neurótico: uma construção mal feita. O ego pontífex: possibilidade de reconstrução do ego. A personalidade poética.

AULA 7: CONHECENDO O SER HUMANO: A CARACTEROLOGIA
A TIPOLOGIA COMO INSTRUMENTO PARA CONHECER O SER HUMANO

· O estudo da personalidade: entendendo a diferença e a singularidade própria dos seres humanos.
· W. Allport e a constelação de valores pessoais.
· Ludwig Klages e a diferença qualitativa da alma individual.
· As tipologias de Jung, René Le Senne, Lipot Szondi.

AULA 8: ASTROLOGIA & SIMBOLOGIA
OS VÁRIOS NÍVEIS DE REPRESENTAÇÃO: A PURA ASSOCIAÇÃO DE IDÉIAS, A BELA METÁFORA E A RIGOROSA ANALOGIA

· A Dialética Simbólica: analogia dos astros celestes com certas funções psicológicas
· As doze perspectivas de vida e as Doze Casas Astrológicas.

AULA 9: A experiência do conhecimento:
Analogia do Sol com a intuição

AULA 10: A experiência do conhecimento:
Analogia de Saturno com a razão


:: do curso de Astrocaracterologia
pré-requisito: ter assistido no mínimo 5 aulas do módulo anterior


Aula 11: Técnica de interpretação da posição do Sol nas casas zodiacais (Casa I - Casa VI)
Aula 12: Técnica de interpretação da posição do Sol nas casas zodiacais (Casa VII - Casa XII)
Aula 13: Técnica de interpretação da posição de Saturno nas casas zodiacais (Casa I - Casa VI)
Aula 14: Técnica de interpretação da posição de Saturno nas casas zodiacais (Casa VII - Casa XII)
Aula 15: Técnica de interpretação da posição da Lua nas casas zodiacais (Casa I - Casa VI)
Aula 16: Técnica de interpretação da posição da Lua nas casas zodiacais (Casa VII - Casa XII)
Aula 07: Técnica de interpretação da posição de Vênus nas casas zodiacais (todas as Casas)
Aula 08: Técnica de interpretação da posição de Marte nas casas zodiacais (todas as Casas)
Aula 09: Técnica de interpretação da posição de Júpiter nas casas zodiacais (todas as Casas)
Aula 10: Entrevistas e documentários de Personalidades Célebres: dedução dos seus respectivos mapas

REALIZAÇÃO
REGULUS CURSOS, ASSESSORIA ASTROLÓGICA E COM LTDA.
Rua Estela, 515 bloco E cj.71 - Paraíso - São Paulo.SP - 04011-904
Fone: (11) 5549-2655 (das 14h às 19h)

FAÇA JÁ A SUA RESERVA
início do curso: 10 e 11 de abril 2010
www.regulus.com.br/curso/astrocaracterologia.htm

A ASTROCARACTEROLOGIA



A psicologia vem redobrando os seus esforços na tentativa de desvendar esse território complexo e misterioso chamado de “alma humana”. No seu percurso atual, o entendimento dos processos cognitivos, bem como da formação da consciência individual, se tornaram tópicos recorrentes e fundamentais. Afinal, passou-se a acreditar que boa parte dos nossos dramas e nossos complexos são determinados por distorções que se operam na esfera da nossa inteligência, fazendo com que, por conseqüência, nos relacionemos com o mundo, com as pessoas e com a sociedade de maneira inadequada e imprópria.

Várias contribuições foram feitas neste sentido, como, por exemplo: Piaget e a teoria da Assimilação e Acomodação; Viktor Frankl e a Logoterapia; Arthur Janov e a teoria dos Eventos Primais; William Stern e sua Psicologia Cognitiva; Gordon W. Allport e sua noção de proprium; Ludwig Klages e sua noção de caráter; Maurice Pradines e as relações que este estabelece entre consciência e espírito. No panorama da psicologia atual, as teorias sobre a qualidade e a natureza das inteligências pessoais despertaram também enorme interesse: Howard Gardner e a Teoria das Inteligências Múltiplas; Daniel Goleman e a Teoria da Inteligência Emocional.

A Astrologia não poderia deixar de dar a sua contribuição à este tema visto que em plena Idade Média os planetas astrológicos já eram associados às faculdades cognitivas, tal como podemos depreender da obra do filósofo árabe Mohieddin Ibn’ Arabi e dos estudos que Alberto Magno desenvolveu sobre o funcionamento da alma, ambos realizados no século XIII. Aliás, foi partindo destas premissas e da noção de caráter definida por Klages como direção da atenção (1940) que se construiu uma teoria extremamente original, a Astrocaracterologia[1], proposta pelo filósofo Olavo de Carvalho em torno de 1989 e que se constitui propriamente numa Teoria Astrológica de Fundamento Cognitivo.

Esta teoria revela a associação existente entre o mapa astrológico e a estrutura cognitiva individual, tornando-o um instrumento valioso para fazer aquilo que chamamos de mapeamento cognitivo pessoal. E é este “mapeamento” que nos permite diagnosticar as direções para as quais a atenção individual está voltada, ou melhor, aqueles valores e experiências que, para o próprio indivíduo, são de fundamental importância para a construção de seu destino.

Tudo ficaria embasado no seguinte adágio, vislumbrado pela própria teoria: “diga-me como vês, que eu te direi quem és”.

Vemos, assim, pelo rumo que os estudos e as pesquisas estão tomando, como é de capital importância o entendimento dos processos da cognição para compreender melhor os comportamentos humanos – e a contribuição que a Astrocaracterologia pode dar a este tema, se tornando um grandioso instrumental para pedagogos, psicólogos, profissionais da área de Recursos Humanos e para os próprios astrólogos.

A ASTROCARACTEROLOGIA:
uma teoria astrológica de natureza cognitiva

Ao investigar o histórico e o passado do saber astrológico com um espírito altamente detetivesco, emendando pistas de natureza metafísica, cosmológica, antropológica e pedagógica que atualmente se encontram dispersas e até mesmo esfaceladas, a Astrocaracterologia verificou que este saber estava - e está - indissociavelmente ligado a certos padrões de percepção individual, traduzindo e revelando a concepção que o indivíduo tem de si e do mundo, tanto do ponto de vista propriamente intelectivo, quanto afetivo e volitivo.

Por isso, pela sua própria natureza, a Astrocaracterologia é uma Teoria da Cognição Humana muito particular, cuja estrutura é astrológica. E por ser isto mesmo, ela tem concepções próprias, métodos, práticas e campos de investigação bem diferentes daqueles propostos pelos diagnósticos astrológicos vigentes. Por isso, a sua devida utilização implica no conhecimento de todos estes conhecimentos que lhe serviram de pano de fundo e de onde ela se ergueu, sem os quais a sua técnica se torna incompreensível e inadequada, senão impossível. Por isso, qualquer aplicabilidade desta teoria depende da compreensão do arcabouço da mesma, sem o qual qualquer dedução é delírio e qualquer imediatismo um problema.

É claro que, diante da complexidade desta teoria, na qual alguns pesquisadores trabalham até hoje, não se poderia esperar que um simples resumo como este viesse a ilustrar a grandeza desta obra e a lhe fazer jus. Seria ingenuidade. Minha intenção, antes de mais nada, é a de apresentar e divulgar a existência de um trabalho que vem sendo construído anos a fio, e isto não só porque o assunto é apaixonante mas também porque ele se mostra extremamente importante na compreensão do quanto a esfera cognitiva engloba e emoldura a vida psíquica, ou melhor, do quanto o campo de atenção do sujeito é capaz de determinar os seus comportamentos, a sua conduta e o rumo da sua biografia. Ademais, divulgo este trabalho porque ele é o testemunho de que o saber astrológico pode, deve – e já está – sendo tratado de uma maneira bastante rigorosa, contrastando em muito com a abordagem superficial e leviana que habitualmente lhe é dada, e que impede que a sociedade reconheça o seu valor e dele faça um justo uso.

Se a divulgação deste trabalho contribuir para que o tema astrológico deixe de ser visto como mais uma opção de divertimento e devaneio e possa ser encarado com um campo de estudo fértil na compreensão do Homem e do Mundo, creio que fiz a minha parte.


três noções básicas

A Astrocaracterologia está fundamentada em diversas noções, sem as quais o seu arcabouço se torna completamente incompreensível. No entanto, para que se tenha uma breve idéia do que possa ser a sua técnica e a sua aplicação, três de suas noções precisam ser explicadas:

· o caráter e as direções da atenção
· as faculdades cognitivas
· a análise biográfica

É o que pretendo fazer a partir de agora.

O CARÁTER E AS DIREÇÕES DA ATENÇÃO

por uma psicologia do futuro

A vida só pode ser compreendida olhando-se para trás: mas só pode ser vivida olhando-se para a frente.
Soren Kierkegaard

Se bem que a “ciência da alma” tenha atingido a idade respeitável de aproximadamente 2500 anos, diversas razões contribuíram para que ela não alcançasse o desenvolvimento e o status já alcançado por outras disciplinas. Uma delas é que, desde o início, esta ciência se dividiu em duas correntes que só muito recentemente começaram a se juntar:
1) uma delas, que cedo tomou o nome de Psicologia, se ocupou em descrever e retratar o funcionamento da psique através dos fenômenos da atenção e percepção, bem como os estados emocionais e como todas as suas alterações se processam e dialogam, e como este diálogo pode ser imprevistamente rompido e apresentar distúrbios, tentando assim delinear a verdadeira arquitetura da alma em todos os seus pavimentos insuspeitos, com toda a sua rede de encanamentos e fiações, e que sustentam toda a pessoa;

2) a outra, que só recentemente se organizou e se sistematizou sob o nome de Caracterologia, sempre se ocupou em conhecer as características pelas quais um ou outro indivíduo pode ser reconhecido e identificado, tentando assim conceber um retrato da diferença e da singularidade humana e dos fatores responsáveis por tal diferenciação.

Apesar destas duas abordagens terem caminhado relativamente separadas ao longo de séculos e terem, por isso mesmo, se esbarrado uma na outra, uma pergunta um dia se impôs – e que configura a pergunta feita na atualidade: é possível que haja na própria arquitetura da psique algum componente que responda pela diferença e pela singularidade humana? Será que este componente impõem a psique outras exigências? Há mesmo algum componente da psique que seja responsável não tão somente pela formação da identidade mas também pelo bom ou mal funcionamento dela própria? Há mesmo alguma relação ou diálogo entre o funcionamento da psique e a estrutura da personalidade, de modo que a partir daí pudéssemos compreender melhor o desenvolvimento psicológico do ser humano?

Gordon W. Allport[2] (1950) introduz esta discussão explicando que os nossos impulsos, desejos e necessidades representam exigências urgentes de redução de tensão que precisam ser satisfeitas, encontrando assim um prumo e um equilíbrio para forças que configuram, sim, motivos psicológicos bastante reais. Estes motivos seriam denominados motivos de déficit. Eles exigem que a tensão seja imediatamente eliminada, restaurando o equilíbrio perdido. No entanto, Allport adverte que por mais que busquemos satisfação para motivos desta natureza e por mais que queiramos estabilidade, há outros motivos que também geram tensão e que colocam o indivíduo em constante instabilidade - mas frente aos quais ele nunca tem uma satisfação imediata e, nem por isso, esmorece, assumindo-os inclusive até o limite do insuportável.

Allport se pergunta: por que há motivações que nos deixam extremamente abalados quando não são imediatamente satisfeitas enquanto a insatisfação ocasionada por outras motivações nunca é suficiente para nos abalar? Para este notável psicólogo, isto só ocorre porque existem motivos de duas ordens: os motivos de déficit e os motivos que ele chama de motivos de crescimento. Estes, ao contrário dos motivos de déficit, mantêm a tensão no interesse de objetivos distantes e muitas vezes inatingíveis, porém suficientes para merecerem a atenção do sujeito - e isto porque eles traduzem os valores que foram livremente escolhidos e aceitos pelo próprio indivíduo.

É desse modo que Allport explica a influência que os ideais e os valores exercem sobre o processo de desenvolvimento psicológico, dando inclusive uma pista para o que seja o seu bom ou mal funcionamento. No entanto, ele esclarece que estes fatores são os extremos cobiçados por nossas intenções, e que nunca os atingiremos completamente. Alguns autores consideram este ponto de suma importância. Jung, por exemplo, define a personalidade em termos do estágio ideal de integração a que o indivíduo tende. Personalidade não seria então o que alguém possui, mas o resultado projetado do seu crescimento. Spranger também considera o caráter de um indivíduo em termos de sua aproximação a um tipo ideal. De qualquer modo, o que se revela importante é a orientação e a posição que o indivíduo toma perante um futuro que pretende atingir, por maiores que sejam as tensões que daí advenham.

Para Allport, os fatores mais elementares e importantes ao desenvolvimento psicológico são estas amplas disposições intencionais que apontam para o futuro, e que submetem a vitalidade psicológica a uma rede de significados. Para empregar um termo da filosofia medieval, esta situação representa a intencionalidade da pessoa. Como tal, ela seleciona, atrai, guia e inibe estímulos de outra ordem, dirigindo todos estes impulsos em outra direção, e cujo trajeto significa a conquista da própria maturidade psicológica.

Percebemos que isto ocorre quando o indivíduo é dominado por impulsos ou por pressões circunstanciais: numa situação como esta, ele perde a integridade que provém unicamente do fato de conseguir manter direções principais de esforço. Ademais, a posse de objetivos de longo alcance, considerados como centrais à existência pessoal, distingue o ser humano do animal, o adulto da criança e, em muitos casos, a pessoa sadia da doente. E, para Allport, todo esforço refere-se sempre ao futuro. Na realidade, a grande maioria dos estados psicológicos só podem ser adequadamente descritos em termos de futuridade pois somente assim compreendemos a que o indivíduo subordina livremente a sua vida. Esta situação exige, para a sua própria compreensão, um tipo de psicologia que transcenda a tendência que prevalece ainda hoje em explicar os estados psicológicos unicamente em função de acontecimentos passados. Afinal, enquanto a Psicologia quase só se preocupa em investigar o passado histórico do indivíduo, parece que ele procura guiar a sua vida em razão de um futuro.

a natureza do caráter
Respeita a ti mesmo, e terás um caráter nobre.
Pitágoras

Um dos fatores mais elementares para o bom funcionamento da psique e que nos coloca na condição de fundar uma verdadeira psicologia do futuro é chamado de caráter. Ele é definido por Ludwig Klages[3], pai da Caracterologia, como "uma unidade viva, ou a qualidade distintiva essencial de uma alma individual. Afinal, todo homem é dotado de uma alma mas possui, além disso, um espírito, quer dizer: ele é um eu ou um si. Por isso, num sentido muito específico, o caráter é a qualidade da vontade pessoal, assinalando condições constantes que revelam uma certa direção preferencial de um eu ou de uma consciência - o que determina, portanto, entre outras coisas, as metas às quais alguém se sente impelido".

Sendo assim, e seguindo uma idéia de Henri Wallon, é essa camada da personalidade chamada de caráter que acaba explicando porque é que, na presença das mesmas circunstâncias, dois indivíduos que dispõem da mesma educação familiar, da mesma influência social e até mesmo de capacidades idênticas reagem de modo completamente diferentes: afinal, cada um tem uma maneira distinta de interpretar a situação ao redor e de reagir a ela, e isto porque cada um observa, valoriza e reage à situação de um modo que lhe é muito próprio.

É o caráter, então, que vem a dar um diferencial à personalidade, fazendo com que cada pessoa venha a viver sua vida e a escrever sua história de uma maneira que lhe é muito peculiar. Se tomamos o termo caráter[4] em sua acepção etimológica, seremos forçados a considerar que toda marca que porventura uma pessoa venha a deixar na vida foi fruto do seu esforço pessoal, isto é, foi fruto da tentativa de reunir tudo o que conhece e o que desconhece de si para atingir uma meta que tenha se proposto. Afinal, existe dentre de todos nós, sob o amontoado de confusões, uma unidade viva que incessantemente não deixa de murmurar certas sugestões que deveríamos escutar e acatar, já que elas são a expressão máxima da nossa realização pessoal, isto é, do nosso destino, da única tarefa que nos cabe.

Para Allport, esta unidade pode ser representada por um foco que confere certo sentido de importância a algumas experiências e relega as restantes a condições secundárias, que no entanto o indivíduo também pode vivenciar tão logo haja oportunidade ou tão logo a pressão circunstancial o obrigue. No entanto, não podemos fechar os olhos ao fato de que os problemas da vida reclamam escolha e sistematização segundo a relativa importância de cada um – mas não tão somente tendo em vista o momento que estamos atravessando e vivendo e, sim, os nossos valores mais soberanos. Estes, sim, exigem um planejamento e uma orientação a longo prazo. Estes, sim, revelam um centro de referência, diante do qual toda a nossa conduta e atitude se posta e se auto-refere.

Vemos, assim, que o termo caráter concentra-se sobretudo no aspecto a longo prazo de nossa experiência emocional. E que ele se revela pela capacidade de adiar uma satisfação em troca de um bem futuro. E isto porque, da confusão de sentimentos em que todos estamos mergulhados, procuramos salvar e manter alguns – e isto porque estes “sentimentos” expressam os nossos valores mais caros. São estes sentimentos “altamente valorizados” que sustentam a nossa alma e que dão feitio e forma a nossa pessoa.

Este psicólogo ainda acrescenta que estes “sentimentos altamente valorizados” não são infinitos em número: são poucos. E que eles são diferentes para cada pessoa. Uma situação como esta deveria estimular os profissionais envolvidos com psicodiagnósticos a seguirem uma linha de pesquisa em que finalmente se conseguisse constatar estas unidades fundamentais ao desenvolvimento psicológico. Para tal, seria necessário pelo menos supor a existência de alguns sentimentos e valores humanos que fossem soberanos, e que representassem os possíveis focos e as possíveis direções da atenção individual, verificando depois – é claro - o quanto que estes focos e estas perspectivas foram fundamentais para determinar o comportamento dos indivíduos e sua história.

E é neste sentido que percebemos que o sistema astrológico se mostra altamente inspirador.

As direções da atenção

Nosso olhar dirige a realidade para onde bem entende.
Adolfo Bioy Casares

O sistema astrológico é, querendo ou não, uma espécie de catálogo que tenta abarcar certas experiências humanas que são consideradas fundamentais. E se aprofundarmos nossos estudos e analisarmos mais de perto um dos componentes desse sistema, o sistema das Casas Astrológicas, perceberemos que ele descreve exatamente a perspectiva que se abre entre o sujeito nascido e o mundo em torno, isto é, entre um posto de observação e a esfera celeste, demarcando um certo campo de atenção.

A hipótese que ora fizemos é de que o sistema das Casas Astrológicas descreve os possíveis campos de atenção individual ou as perspectivas humanas soberanas, através das quais tudo seria percebido, sentido e até mesmo alterado. É claro que, tendo feito tal hipótese, tivemos que verificá-la logo em seguida, através de um método que chamamos de “análise biográfica”, do qual falarei num capítulo adiante. No entanto, o que cabe agora perguntar é que perspectivas fundamentais seriam estas que os seres humanos podem ter da vida, tendo por base o sistema das Casas Astrológicas. Afinal, quais seriam estas perspectivas fundamentais com que cada indivíduo, a sua maneira, vê o mundo e procura se orientar?

CASA 1
sob a perspectiva da identidade
caracteriza o indivíduo de VIÉS PERSONALÍSTICO
se mobiliza[5] pela imagem que tudo passa e projeta

CASA 2
sob a perspectiva da vitalidade
caracteriza o indivíduo de VIÉS SENSORIAL
se mobiliza pela condição física e material das circunstâncias

CASA 3
sob a perspectiva da comunicabilidade
caracteriza o indivíduo de VIÉS LINGÜÍSTICO
se mobiliza pelas idéias explicitadas e ainda implícitas

CASA 4
sob a perspectiva da interioridade
caracteriza o indivíduo de VIÉS EMOCIONAL
se mobiliza pelas exigências e pressões emocionais

CASA 5
sob a perspectiva da capacidade
caracteriza o indivíduo de VIÉS VOCACIONAL
se mobiliza pelo desempenho e mérito próprios

CASA 6
sob a perspectiva da organicidade
caracteriza o indivíduo de VIÉS SISTÊMICO
se mobiliza pelo todo esquematizado e o seu funcionamento equilibrado

CASA 7
sob a perspectiva da alteridade
caracteriza o indivíduo de VIÉS INTERPESSOAL
se mobiliza pela reciprocidade e pelos níveis de relacionamento

CASA 8
sob a perspectiva da adversidade
caracteriza o indivíduo de VIÉS TRANSFORMADOR
se mobiliza por processos que gerem mudanças e alterações

CASA 9
sob a perspectiva da universalidade
caracteriza o indivíduo de VIÉS LEGISLATIVO
se mobiliza por princípios e regras gerais que gerem certezas e orientem

CASA 10
sob a perspectiva da coletividade
caracteriza o indivíduo de VIÉS SOCIAL
se mobiliza pelas exigências e pressões sociais

CASA 11
sob a perspectiva da posteridade
caracteriza o indivíduo de VIÉS PROJETIVO
se mobiliza pelas perspectivas futuras e pelo projeto a realizar

CASA 12
sob a perspectiva da finalidade
caracteriza o indivíduo de VIÉS MACROSCÓPICO
se mobiliza por forças maiores que determinam o fim e o rumo de tudo

Do ponto de vista técnico, estas perspectivas se tornariam determinantes para cada indivíduo à medida que um ou outro planeta estivesse disposto numa dessas Casas do seu mapa natal, configurando assim os focos naturais da sua atenção – o que conferiria um certo sentido de importância a algumas experiências e relegaria as outras a um plano ocasional e secundário.

No entanto, convém explicar que a associação que ora fizemos entre direções da atenção & Casas Astrológicas não foi meramente gratuita, mas está baseada no fato de que na Idade Média os planetas celestes já eram associados àquilo que os árabes chamavam de potências da alma: certas disposições da psique que determinam o seu funcionamento. Por isso, se levarmos em consideração de que a Astrologia, por esta época, já associava os planetas a certas funções psicológicas, e se procurarmos entender a natureza dessas funções, perceberemos que parte do seu funcionamento fica condicionado em agir em certas direções e não em outras, revelando que cada função psicológica tem, sim, uma direção que lhe é preferencial – sendo estas direções exatamente aquelas que se encontram retratadas pelas Casas Astrológicas.

Uma das maneiras de fazer entender esta situação é relembrando a explicação que o próprio Klages dá sobre propriedades do caráter. Para tal, ele usa como exemplo um traço de caráter que normalmente empregamos para distinguir os indivíduos: a honestidade. Afinal, há indivíduos que são honestos, enquanto outros, não. Klages, entretanto, vai mais fundo e adverte que a honestidade não é propriamente um traço de caráter visto que ela é somente a manifestação mais superficial de um valor perante o qual a consciência do indivíduo se posiciona.

Se analisarmos a situação por este prisma proposto por Klages, veremos que, de fato, a honestidade se diferencia para cada sujeito pois cada um se coloca perante a esta condição por causa de um valor: afinal, há indivíduos que são honestos porque têm senso de veracidade, enquanto outros assim o são porque desejam se mostrar sob o seu melhor aspecto, enquanto outros já temem as conseqüências da desonestidade e tem pavor do código penal. Uma avaliação como está nos mostra que por detrás das qualidades e dos adjetivos com que costumamos caracterizar as pessoas, há sempre um valor onde estes repousam. E que estes valores de fundo e supremos podem - e estão - associados às Casas Astrológicas, tal como verificamos pelo método da análise biográfica.

AS FACULDADES COGNITIVAS

Se a Astrocaracterologia partiu para a construção do seu projeto teórico da noção de potências da alma, torna-se extremamente importante explicá-la. Para isso, será necessário lembrar que foi pelo fim da Idade Média - séc. XIII – que um conhecimento de tal natureza deu mostras do longo e proveitoso amadurecimento por que vinha atravessando e que, como uma árvore que atinge o seu objetivo ao desenvolver frutos, deixou-nos como legado dois estudos importantíssimos que, desde já, se tornam indispensáveis para compreender a concepção que se tinha da inserção do Homem dentro do Cosmos – e também para vislumbrar quais teriam sido os critérios com que se poderia realizar uma interpretação astrológica.

O primeiro estudo se refere aos tratados do escolástico Alberto Magno (1260) sobre o funcionamento da alma humana que, segundo este, se dava e se articulava em sete funções distintas (chamadas de faculdades cognitivas[6]), e que descreviam os modos com que o indivíduo percebia, sentia e lidava com as circunstâncias aos seu redor. O segundo estudo se refere aos tratados do filósofo árabe Mohieddin Ibn’Arabi (1230), que associava certas “potências da alma” a alguns planetas celestes[7]. Apesar destes dois autores nunca terem dialogado entre si, vemos que as afirmações que ambos fazem sobre as funções psicológicas são as mesmas, se tornando então extremamente importantes para deslindar e compreender a natureza simbólica dos Planetas Astrológicos.

No entanto, não podemos fazer vistas grossas a recente contribuição dada pela psicologia da cognição que, durante toda a sua existência, contribuiu em muito para esclarecer as atribuições de cada uma dessas faculdades, revelando o papel delas na integração da personalidade do indivíduo. O quadro de correspondência abaixo tenta ilustrar todo esse conhecimento que assim pode ser resumido e sintetizado:

Astros celestes & Faculdades cognitivas

SOL = INTUIÇÃO
percepção imediata que o sujeito tem de determinado dado tão logo este se apresente

LUA = SENTIMENTO
alteração emocional – ora agradável, ora desagradável - que o dado provoca no sujeito

MERCÚRIO = PENSAMENTO
associação que o sujeito faz do dado com outros dados já conhecidos

VÊNUS = FANTASIA
imaginação das infinitas possibilidades que o dado permite e oferece, vislumbradas pelo sujeito

MARTE = ESTIMATIVA
reação instintiva que o sujeito tem perante o poder de ação do dado

JÚPITER = VONTADE
expressão da liberdade que o sujeito se dá perante o dado, moldando-o de acordo com sua vontade

SATURNO = RAZÃO
formulação de regras e leis que o sujeito constrói a partir dos dados obtidos pelas demais faculdades, e com as quais compõe o seu entendimento de mundo
 

É tendo em vista a disposição destes 7 Planetas em quaisquer uma das 12 Casas Astrológicas que conseguimos diagnosticar o funcionamento da psique, percebendo exatamente em quê direção cada uma das suas faculdades está voltada. Diante de um diagnóstico como este, percebemos não só as perspectivas que particularmente o indivíduo nutre e vislumbra sobre tudo o que o cerca mas também as coordenadas de ação que ele procurará tomar ao longo de toda a sua vida visto que, por considerar tudo por estes ângulos, ele acabará traçando o seu caminho da maneira que estes lhe indicaram, construindo o seu destino de um modo e não de outro, ou melhor: conforme a sua própria consciência disse.


persona est substantia individua rationalis naturae
Boécio


Vemos, assim, que alguns padrões astrológicos representam as diversas faculdades psicológicas, cuja interação é responsável pela integração da própria personalidade e também pela edificação do próprio destino, visto que são elas quem determinam que a vida seja conduzida de um modo e numa direção que lhe é preferencial. Afinal, por sermos o que somos, isto é, por sermos uma alma dotada de espírito e de intenção, temos coordenadas de ação muito específicas que, mal ou bem, traduzem as metas às quais nos sentimos impelidos.

É por isto que não podemos ser explicados unica e exclusivamente pelo nosso passado, isto é, por informações reprimidas no nosso inconsciente, visto que podemos ter uma melhor compreensão de nós mesmos pelo nosso futuro, ou melhor, pela intenção que a nossa psique demonstra em realizar um projeto de vida muito peculiar – projeto, este, que ela vislumbra e constrói através da interação das suas faculdades intelectivas, afetivas e volitivas, que são responsáveis pelos nossos pensamentos, sentimentos e ações.

No entanto, ao vislumbrarmos esse projeto de vida dentro de nossa mente, boa parte do quadro de referência que fomos construindo ao longo da nossa existência é imediatamente requisitado para analisá-lo e julgá-lo, de modo que todos os nossos conceitos, idéias, valores e pensamentos são postos em ação com a intenção de determinar cada vez mais nitidamente o perfil e o contorno deste projeto, dando forma a algo que porventura se mantinha nebuloso e informe.

Imaginem, pois, o desastre que é caso todo este império intelectual esteja cheio de noções distorcidas, ou cheio de lacunas: a psique não vai encontrar as condições necessárias para analisar e julgar este projeto de vida e, diante desta situação, ele pode acabar continuando nebuloso e informe – ou até mesmo cada vez mais deformado.

Compreendemos, assim, o quanto que o exercício da faculdade da razão é fundamental para a compreensão e construção deste projeto de vida e o quanto que o desenvolvimento desta faculdade psicológica é essencial para a integração da própria personalidade pois é através desta que o indivíduo consegue ter a medida a si mesmo com relação a tudo que o cerca. Sem esta, ou sem o exercício desta, o indivíduo não consegue sequer interpretar a diversidade e a variedade da vida e tampouco construir um quadro de referência mais rico, que lhe permita identificar uma razão e um sentido para tudo o que vem vivendo.

Esta é, aliás, a proposta mais fundamental da Astrocaracterologia: de que cada indivíduo tem um tipo específico de inteligência racional, cabendo-lhe a tarefa de desenvolvê-la e ampliá-la, sob o preço de continuar confuso e desorientado caso assim não aja, visto que este é um problema que se forma – e se resolve – na esfera da inteligência, muito embora ele recaia sobre todas as outras esferas da nossa vida.

Daí ser importante diagnosticar qual o nosso tipo específico de inteligência racional[8], que questões ou problemas podemos ter em nossa mente e como eles precisam ser tratados. E uma das maneiras de avaliarmos o tamanho e a dimensão desta problema é através da análise biográfica, que inclusive nos permite descobrir para que direções estão voltadas as outras faculdades cognitivas, a saber, o nosso sentimento, a nossa intuição, a nossa vontade e etc.


Compreender um drama é a mesma operação mental que compreender uma existência, uma biografia, um homem: é obrigar o pássaro a voltar para seu ovo, a planta para a sua semente, e constituir toda a gênese do ser em questão. A arte não é senão o ato de por em relevo o pensamento obscuro da natureza; é a simplificação das linhas e o desprendimento dos grupos invisíveis. O fogo da inspiração faz ressaltarem os desenhos traçados a tinta simpática: o misterioso torna-se evidente, o confuso tona-se claro, o complicado torna-se simples, o fortuito torna-se necessário. Em uma palavra, a arte revela a natureza traduzindo as suas intenções e formulando as suas vontades – o ideal. Cada ideal é a solução de um grande enigma. O grande artista é um simplificador.
Henry Amiel


Se levarmos em consideração as observações do psicólogo Peruano Honório Delgado[9] sobre a vida humana, atentaríamos para o fato de que há três maneiras de se conhecer um indivíduo:

· pela sua presença e pelo seu modo de ser, sempre de difícil tradução, mas que só poderiam ser captados por alguém que o conhecesse diretamente;
· pelas peculiaridades dos atos tomados em um ou outro momento e que expressam a tentativa de resolver certos impasses que a vida apresenta a todo e qualquer ser humano;
· por certa linha de continuidade que ele foi imprimindo a própria vida, ou melhor, pela fisionomia e pelo contorno que uma vida toma por estar submetida a realização de um projeto existencial.

Para o psicólogo peruano, a fórmula máxima com que se poderia conhecer uma pessoa é aquela expressa pelo terceiro item, a que ele dá o nome de biografia. Esta seria não somente a fonte mais preciosa mas também o único acesso para um contato realmente revelador, suscetível de dar vislumbres sobre o que há de mais característico e singular num indivíduo.

Não podemos nos esquecer também que a biografia é definida como "o desenho, a grafia da vida". E isto porque cada vida humana toma um desenho, uma forma; sendo tal forma descrita por uma equação que sintetiza as maneiras soberanas como um indivíduo viveu e experimentou tudo que se colocou a sua frente, e que expressam a sua tentativa de agir de acordo com a sua consciência e a sua vontade. Se soubermos analisar uma vida através desta dimensão biográfica e detectarmos as coordenadas preferenciais da ação individual, estaremos não só descobrindo os fundamentos em que o sujeito pavimenta a sua existência como também as Casas Astrológicas em que estes sete planetas se distribuem.

Este é, na realidade, o método de que nos utilizamos para verificar a hipótese levantada: de que a estrutura do mapa astrocaracterológico expressa uma estrutura cognitiva que se torna plenamente demonstrável ao ver vista numa dimensão biográfica. Mas, para esclarecer tal método, precisarei exemplificar:


1. Fernando Pessoa teve toda uma vida desenhada na direção de salvar a sua pátria da grande derrocada histórica em que havia entrado. Disse que faria isto através da escrita. Para tal, multiplicou-se em vários poetas pois, para fazer frente à nação, teria que se tornar vários, pois - parece - que nada podia um único indivíduo contra a coletividade. Além disso, ele se dizia o homem com a maior alma portuguesa que havia conhecido – muito embora se vestisse como um lorde inglês, herança do período de juventude em que viveu em Durban, colônia inglesa. Mas... como podia se dizer autenticamente português se portava-se como um inglês?

 
2. Oscar Wilde teve toda a sua biografia quase que absorvida por um inesquecível episódio: foi preso na Inglaterra sob a acusação de homossexualidade. Uma prisão que muitos dos seus contemporâneos diziam que poderia ter evitado. No entanto, não evitou. E por quê? Por que, de acordo com a filosofia da sua mãe irlandesa, um verdadeiro irlandês jamais se deixaria abater e se humilhar por uma ofensa feita por ingleses em próprio território inglês e que, independentemente da veracidade da acusação, o filho teria de levar esse julgamento até o fim, assumindo a sua condição de irlandês – daquele que jamais se curva, ainda mais perante a um inglês. Ou seja: a mãe incentivou o filho a assumir e a ser representante de uma nação. Além disso, Oscar Wilde é considerado também um dos maiores críticos da sociedade inglesa, muito embora fizesse de tudo para participar e desfrutar da mesma, demonstrando uma atitude contraditória perante esta questão.


3. Adolph Hitler teve toda a sua trajetória de vida voltada para se adequar ao papel que o Estado Alemão necessitava, ou seja, a de um porta-voz que levasse a Alemanha a categoria de império - o que seria feito, inclusive, através de purificação cada vez mais crescente da raça ariana, caracterizada como a autêntica expressão da nação germânica. Ademais, Hitler é conhecido como um dos homens mais poderosos que o mundo já conheceu, muito embora ele confidenciasse, no início de sua carreira, que não se sentia com poder algum.

O que percebemos nestes três casos ? O primeiro fez de tudo para levantar e polir a imagem de uma nação já transfigurada do seu brilho anterior; o segundo afundou-se por conta de ter se investido como representante de uma nação; o terceiro afundou praticamente quase todo o mundo por conta de ter levado até a última instância a soberania de uma nação e de uma raça sobre as outras. Três vidas completamente diferentes – cujo desenho tem, no entanto, a mesma forma, isto é, se afunila em torno do tema hierárquico e social ou, dito de outra forma, em torno do tema do poder.

Uma pergunta, então: quem são estas pessoas que, ao longo da vida, tomam decisões justamente por conta do seu papel dentro da sociedade? Quem são estas pessoas que sempre mudam o rumo e a direção da própria vida por conta do poder vigente e por conta do próprio papel social? E mais: quem são estas pessoas cujo desnível ou cuja deformidade biográfica é determinada por uma experiência de natureza hierárquica, revelando uma grande contradição que o indivíduo assume com relação a este tema? Afinal, há tantas hipóteses e forças em jogo na estruturação da personalidade que levariam um ser humano a agir desta maneira, não? No entanto, é curioso notar que, no caso destes três exemplos comentados brevemente, todos tinham o planeta Saturno no ápice do seu percurso no céu: na Casa Dez.

Seria apenas uma coincidência? Pelos estudos e investigações que empreendemos, estamos convencidos que não. Afinal, em todas estas biografias, testemunhamos a razão humana se deparando com as exigências e pressões sociais, ora montando saídas e alternativas para problemas desta natureza, ora se encontrando detido e amarrado por elas próprias – como se fosse um tiro pela culatra. Ou como Édipo, que não sabia que ele próprio era o autor da própria desgraça.

O propósito mesmo da análise biográfica - que vê a vida inteira do sujeito como conseqüência de uma ótica particular que a abarca e determina - é detectar a sua cosmovisão pessoal, ou melhor, as perspectivas muito pessoais que ele nutre sobre a vida. Aliás, a premissa fundamental do que está sendo exposto é exatamente esta: tudo o que vivemos e experimentamos está diretamente ligado a nossa ótica pessoal, a nossa perspectiva de vida, seja esta clara ou obscura.


A reabsorção das circunstâncias é o destino concreto do homem.
Ortega Y Gasset


Devemos lembrar que o indivíduo do qual a Astrocaracterologia fala é um indivíduo abstrato, ideal, e não um indivíduo de carne e osso. Ele representa o modelo ou a figura sonhados por alguém, aquilo que se torna o objeto da sua mais alta ambição espiritual e afetiva. Por isso, jamais poderemos dizer que o mapa astrocaracterológico descreve o que somos mas, sim, o que pretendemos ser - e isto se nos esforçarmos para tal ou se tivermos, digamos, sorte. Afinal, a força dos acontecimentos pode ser muito mais forte do que a nossa determinação caracterológica.

Vemos, assim, que esta determinação de base e inata nem sempre se torna a expressão final e literal de uma vida e de um destino humano. Isto só acontece em casos muito privilegiados, em que o indivíduo:

· se torna o autor dos acontecimentos, pela força da sua vontade;
· é auxiliado pelas circunstâncias momentâneas e históricas;
· é auxiliado pela sorte.

Desse modo, entre aquilo que é ditado pela própria natureza e as circunstâncias pode se estabelecer tanto uma zona de atrito como de harmonia, sendo que a boa ou má adaptação talvez dependa também de características que já estejam ditadas na própria natureza. Deve-se, portanto, encontrar um encaixe entre as circunstâncias externas e a forma individual interna; deve-se encontrar uma resolução dialética entre o que se é e as circunstâncias, sendo um destino a resultante de ambos fatores.

O curioso é que, mesmo às cegas, estamos tentando construir a nossa vida e escrever a nossa história tal como exige nossa determinação caracterológica. Neste sentido, o pleno sucesso deste empreendimento talvez esteja baseado numa consciência redobrada que o indivíduo tenha de si mesmo, isto é , do seu caráter, do seu projeto de vida e de todos os alicerces que o sustentam.

Daí a importância e o valor do diagnóstico astrocaracterológico.



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[3] LE DIAGNOSTIC DU CARACTÉRE, Ludwig Klages, PUF, Bibliotheque Scientifique Internationale, 1949
[4] do vocábulo grego charakter, que significa impressão, gravação; do verbo grego charassein, designando o ato de agudizar, riscar, esculpir, o que se aplicava a princípio a todo signo (de escrita, astronômico), sendo utilizado depois para designar coisas muito especiais. Representa, portanto, signos distintivos mas que geralmente parecem ter vida própria e uma certa importância mágica. Isto nos conduz, por graus, ao emprego atual desta palavra: cunho, marca, especificidade; propriedade ou qualidade inerente a um ente e que o distingue dos demais; a forma específica de cada coisa
[5] se mobiliza tanto intelectualmente quanto afetivamente ou volitivamente, dependendo da natureza do planeta aí localizado.
[6] PSICOLOGIA DA ATIVIDADE SEGUNDO ALBERTO MAGNO, Padre Michaud- Quantin (tradução pessoal de Joel Nunes dos Santos)
[7] ALQUIMIA DA FELICIDADE PERFEITA, Mohieddin Ibn’ Arabi, Ed. Landy, 2002
[8] A inteligência racional é demarcada pela casa astrológica em que o planeta Saturno se encontra.
[9] DE LA CULTURA Y SUS ARTIFICES, de Honório Delgado, Aguilar, 1961

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XAUSA, IZAR APARECIDA DE MORAES. A Psicologia do Sentido da Vida. Ed. Vozes – RJ, 1986.

EM DEFESA DA ASTROLOGIA


Pitágoras, no século 6 AC, fundou uma escola filosófica que preconizava os números como representação da estética universal, uma ponte entre a razão humana e o mundo natural. Segundo os pitagóricos, tudo podia ser representado por números, sendo o papel do filósofo descobrir as relações secretas entre eles e a natureza. Os pitagóricos criaram a noção de harmonia para representar o estado de transcendência que é atingido quando nossas aspirações estéticas, manifestas por meio dos números e suas relações, encontram ressonância no mundo real. Ordem, beleza e simetria são unificadas em uma experiência que une o místico ao intelectual. Essa busca pelo que é tanto racionalmente belo quanto relacionado com uma descrição do mundo real é o que inspira grande parte da obra científica tanto no passado quanto hoje. Nós, como os pitagóricos, também celebramos a harmonia dos números na descrição científica da natureza.

MARCELO GLEISER

A Astrologia e o preconceito existente

O tema astrológico é um tema de grande popularidade, presente na seção de horóscopos de todo e qualquer jornal ou revista. No entanto, por maior que seja a sua popularidade, vale a pena atentar para o fato de que toda discussão a respeito deste assunto tem se mostrado bastante superficial e leviana, impedindo que o debate progrida e chegue a um bom termo. Aliás, para a maioria das pessoas, sejam estas letradas ou não, toda a análise que se poderia fazer a respeito deste assunto já foi feita, dando-o por liquidado, quando, na realidade, há muito ainda que se discutir sobre este tema. Ou pior: talvez ele sequer tenha sido discutido de maneira intelectualmente honesta e responsável.

Dizem que um dos motivos fundamentais pelo qual o ser humano se lança no desconhecido e procura desvendá-lo é a necessidade inalienável do seu espírito pela verdade ou por um pouco mais de luz. Parece, assim, que a única coisa capaz de sossegar a mente humana reside na possibilidade de alcançar uma clareza sobre os fatos e os fenômenos que a cercam – uma clareza, se não absoluta, pelo menos razoável. Mas alcançar clareza e certeza sobre as coisas não é nada fácil: elas são elaboradas às custas de muitas dúvidas, e estas, nem sempre, são enfrentadas com paciência e rigor. Aliás, muitos homens que se consideram “homens do saber” não enfrentam as dúvidas com honestidade intelectual e, diante da sua enorme impotência mental perante o desconhecido, formulam uma certeza às pressas, completamente arbitrária, acreditando que assim chegaram a única conclusão a que se poderia chegar.

Devemos considerar que estes “homens do saber” talvez se esquivem da causa pela qual dizem trabalhar e, deixando de enfrentar as enormes incertezas e contínuas críticas e revisões que a tarefa intelectual exige, acabam construindo teses e teorias em que jamais há a marca da autêntica universalidade: daquela universalidade contemplativa, onde se vislumbra de uma só vez a coerência, a harmonia, a integridade e a visão de conjunto. Aliás, sem este nível de universalidade que eleva nossa inteligência acima das incertezas, continuamos imersos nos fatos variados e múltiplos que ofuscam nossa capacidade de interpretação e nos levam a elaborar teorias fragmentadas e vazias, maculadas pela visão e pela opinião pessoal. Deveríamos inclusive nos lembrar das advertências de Max Weber ao dizer que “se o cientista topa com fatos que não pode explicar com os meios atuais da investigação científica, não lhe cabe negá-los em nome seja do que for, ou ignorá-los, ou relegá-los à esfera da superstição[1]”.

Por isso, antes de levarmos em consideração as objeções e os elogios fanáticos que geralmente são feitos com relação à Astrologia - ou contra qualquer outro assunto – deveríamos investigar todas as suas implicações, sobretudo as de ordem histórica, antropológica e filosófica, verificando assim sua possível legitimidade e valia. Quem sabe uma investigação de tal porte esclareça alguns de seus pontos obscuros, vítimas freqüentes de preconceitos.

Astrologia: uma cosmovisão

A antiga divisão do universo num desenvolvimento objetivo no espaço e no tempo, por um lado, e numa alma que reflete esse desenvolvimento, por outro, já não serve para ponto de partida caso se queira compreender as ciências modernas da natureza. É, antes de tudo, a rede de interligações entre o homem e a natureza o objetivo central da ciência.

WERNER HEISENBERG

O tema astrológico nunca passou ao largo do corpo de conhecimentos e dos interesses humanos como parece. Afinal, o entendimento de si mesmo bem como do que existe em torno sempre foi - e continua sendo - a mola que impulsiona a inteligência dos homens. Não é à-toa, pois, que este tema apareça equacionado de diversas maneiras em discussões que, aparentemente, não tem nada de astrológico.

O tema astrológico - para enfado de uns e para o histerismo de outros - é um tema que está inextricavelmente associado à idéia que o homem sempre nutriu sobre o lugar da espécie dentro do cosmos, e isto nas mais diversas épocas e civilizações. Ao longo dos séculos, o ser humano sempre tentou compreender melhor a si mesmo e o mundo que o cerca e cada época da história ficou caracterizada por elaborar este entendimento de um modo muito particular. Cada época, a seu modo, teve o que chamamos de cosmovisão: um modo muito próprio de compreender não só o Homem e a Natureza mas também a Deus.

Esta cosmovisão se encontra boa parte das vezes personificada na concepção que o homem nutriu e formulou sobre o cosmos e o mundo: não é a toa que a Astronomia figure como uma das ciências que primeiro se desenvolve e alcança rapidamente sua perfeição, e isto em quase todas as civilizações. De certo modo, o conhecimento da natureza e da estrutura do cosmos, sobretudo dos astros, dava ao homem a imagem necessária do cenário onde se desenrolava a sua vida. Desde a Antigüidade até a Idade Média, compreendia-se que o mundo estava estruturado e organizado em três níveis ou dimensões, a saber:

1. a dimensão física ou natural
2. a dimensão humana
3. a dimensão sobre-natural ou meta-física

Esta cosmologia tinha sobretudo uma característica: estabelecia um hierarquia entre a dimensão física e metafísica, isto é, entre o plano inferior e superior, entre o mundo sensível e inteligível, entre a Natureza e Deus, tendo, no centro, o Homem. Esta hierarquia não só determinava tudo o que podia ocorrer em cada uma destas 3 dimensões mas, também, a maneira específica como cada uma poderia ser conhecida: das alturas do plano superior até a base do plano inferior, estabelecia-se uma via de mediação por onde o infinito tocava e conhecia o finito e por onde o finito tocava e conhecia o infinito também. Era por essa via de mediação que Deus tocava e conhecia o Homem, assim como o Homem tocava e conhecia Deus. Mas, para que isso ocorresse, havia toda uma trajetória, todo um percurso que ora era realizado num salto único e súbito e ora era realizado passo a passo, numa seqüência sujeita a leis bastante rigorosas.

Desse modo, o mundo era concebido como uma esfera fechada em si mesma, no interior da qual tudo se processava: do divino e imóvel motor do universo até o mundo sublunar, partia a força que agia sobre sucessivas camadas, se propagando numa seqüência contínua e ordenada. Por maior que fosse a distância entre o começo e o fim deste processo, tudo era compreendido e explicado por se conceber o cosmos como um todo fechado devidamente organizado e hierarquizado.

É tendo esta cosmologia como pano de fundo cultural que a Astrologia se sustentou e aflorou ao longo dos tempos, ora em sua versão doutrinal e mística, revelando o aspecto propriamente primitivo e original de adoração e revelação dos Céus, e ora em sua versão racional, revelando o aspecto propriamente astronômico e matemático deste saber que acabou atravessando toda a Idade Média como um princípio de inteligibilidade do Mundo, isto é, como um modo de compreender tanto a existência humana quanto o mundo em torno, tal como Ernst Cassirer explica em seu monumental livro O Indivíduo e o Cosmos na Filosofia do Renascimento[2]. A despeito das tremendas disputas dialéticas que se travaram sobre o tema astrológico em plena Idade Média, ainda assim ela pode continuar incólume como princípio de conhecimento do mundo que entendia e interpretava, num só golpe de olhar, o lugar que cabia à Natureza, ao Homem e a Deus.

O próprio Dante Alighieri a admitiu neste sentido. Em sua obra chamada Convívio[3] ele nos revela um sistema completo de conhecimento que corresponde ponto por ponto ao sistema astrológico. As sete ciências do Trivium e do Quadrivium - que compunham o sistema pedagógico chamado de Artes Liberais - eram associadas explicitamente às sete esferas planetárias, deixando entrever que um possível processo tanto de ascese espiritual quanto de formação intelectual se dava quando o indivíduo cumpria gradativamente as exigências contidas em cada uma destas sete ciências, e quando no final se compreendia todos os mistérios que se encontravam escritos no livro celeste.

Neste sistema, a Astrologia aparece por último, como que coroando as outras disciplinas que se propunham, todas, a levar o indivíduo a elaborar paulatinamente a totalidade da experiência de uma maneira em que ela se tornasse compreensível. Na história da cultura ocidental esse sistema existiu, quase sem interrupções, desde a Antigüidade até a Idade Média, se tornando o berço e a fonte de onde nasceram quase todos os conhecimentos mais significativos da nossa cultura:

AS ARTES LIBERAIS

ciências do trivium

Gramática: disciplina que levava o indivíduo a perceber a base material em que se constrói o discurso e que lhe dá um corpo ( como, por exemplo, no estudo dos sons das palavras e - ainda em algumas culturas - da imagem das letras), demonstrando dessa maneira o elo existente entre a dimensão física e a dimensão lingüística e simbólica;

Retórica: disciplina que levava o indivíduo a perceber que há diversas e variadas maneiras de causar uma comoção e uma reflexão no outro, estimulando-o a participar também da experiência do conhecimento, se deparando, assim, com o fato de que a dimensão metafísica deve ser apreendida por cada inteligência em particular, demonstrando dessa maneira o elo existente entre a inteligência particular e a alheia;

Lógica: disciplina que levava o indivíduo a perceber uma certa exigência que move forçosamente o raciocínio numa direção específica, impulsionado pela necessidade de desenvolver uma síntese cada vez mais abrangente dos fatos e que lhe coloca na condição de participar, em níveis e graus variados, de um plano superior, demonstrando dessa maneira o elo existente entre a dimensão cognitiva e a dimensão metafísica, isto é, entre a inteligência individual e uma certa inteligência universal, o Logos.

ciências do quadrivium

Aritmética: disciplina que levava o indivíduo a perceber não tão somente o número pela sua característica quantitativa visto que, para que as coisas sejam várias e possam ser contadas, elas têm que ser necessariamente uma, isto é, ter unidade, revelando então o caráter essencial e substancial das coisas existentes, a sua estrutura elementar, demonstrando que tudo é o que é por possuir uma “misteriosa” força de unidade e integridade que faz com que as coisas se apresentem e sejam desta maneira - e não de outra. A aritmética era, antes de tudo, um estudo das identidades.

Geometria: disciplina que levava o indivíduo a perceber como as unidades se distribuem ao longo do espaço e o ocupam, demonstrando que as idéias de proporção (da dimensão espacial) bem como as de perspectiva (da direção espacial) eram desenvolvidas com o fim de estabelecer o equilíbrio e a harmonia espacial.

Música: disciplina que levava o indivíduo a perceber como as unidades se manifestam ao longo do tempo, isto é, o compasso de duração típico de cada coisa, revelando o ritmo sob o qual tudo se desenvolve, demonstrando que a idéia de melodia era desenvolvida com o fim de estabelecer o equilíbrio e a harmonia temporal.

Astronomia-Astrologia: disciplina que levava o indivíduo a perceber o laço existente entre as três noções anteriormente apreendidas, isto é, entre a noção de unidade, espaço e tempo, demonstrando que cada coisa, por ser o que é, se desenvolve ao longo de um tempo e ocupa um certo lugar que lhe são muito peculiares, revelando assim os laços e as relações existentes entre a estrutura elementar particular (o microcosmo) e a estrutura universal (o macrocosmo), permitindo descobrir a unidade dentro da diversidade, a ordem dentro do caos - tudo com o fim de estabelecer, digamos, o equilíbrio e a harmonia existencial. A Astrologia era a disciplina se ocupava com o estudo do significado do céu, enquanto a astronomia tratava somente do aspecto físico e descritivo deste mesmo céu, sem o seu conteúdo simbólico. A Astrologia era, antes de tudo, um estudo astronômico sobre o sentido e o significado de como todas as coisas estão arranjadas. A Astrologia, pois, não passava de uma astronomia significativa[4].

Estas 7 ciências levavam o ser humano a compreender as regras e as leis que se encontravam embutidas em cada um dos objetos estudados, e isto de um modo que no final se pudesse contemplá-las dentro de um único conjunto, personificado na Estrutura e Harmonia Celeste. Por isso, as Artes Liberais não compunham um simples agregado casual de disciplinas, nem mesmo uma combinação engenhosa de elementos díspares juntados tão somente em vista do desenvolvimento pedagógico a que se propunham. As Artes Liberais compunham um sistema, uma unidade dotada de coesão intrínseca, por mais que historicamente esta unidade se mantivesse velada e não fosse abordada textualmente de maneira explícita, e por mais que o conteúdo de uma disciplina nem sempre demonstrasse claramente a correlação existente com as outras, visto que, ora e meia, uma disciplina se tornava mais valorizada do que as demais, fazendo com que os laços existentes entre elas se tornassem mais tênues[5]. No entanto, tão íntimos e inextricáveis eram estes laços que se poderia dizer, sem exagero, que constituíam uma só ciência estudada sob sete aspectos diferentes, se tornando representativa não tão somente em cada uma de suas partes isoladas como também na estrutura do seu conjunto.

O resultado de tudo isso é a formação de uma cosmovisão bastante singular: uma espécie de astrologia escolástica ou de escolástica astrológica, em que a pedagogia da época[6] e a arquitetura das Igrejas[7] procuravam espelhar a proporção da estrutura celeste. Por isso, estudar a Idade Média se torna uma fonte vital para compreender os laços que uniram a vida do espírito à vida intelectual, e o status ao mesmo tempo paradoxal e soberano que a Astrologia alcançou como um sistema de conhecimento por esta época.

No entanto, é a partir da Renascença que se estilhaça o quadro com que tradicionalmente se compreendia e concebia as relações entre a Natureza, o Homem e Deus. A partir desta época, a cosmovisão reinante sofre uma mudança drástica, inaugurando uma nova cosmovisão e realizando, por isso mesmo, aquilo que se chama de mudança de paradigma: uma mudança no ato de ver, de pensar e compreender todas coisas. Ao longo deste período, vamos assistindo uma separação cada vez mais nítida e definitiva entre três dimensões que se encontravam até então entrelaçadas, inaugurando uma nova concepção de Natureza e de Homem que não só se sobressaía dentro da antiga cosmovisão mas que, também, ia engolfando e eliminando o lugar e o valor que Deus e os astros ocupavam dentro dela. É este episódio que marca uma ruptura definitiva com o Divino, com o plano metafísico e espiritual - um obscurecimento de todo o supra-sensível - com frisa o grande historiador do Renascimento Jacob Burckhardt no livro chamado A Civilização do Renascimento em Itália[8].

E é esta ruptura que vai determinando também a possibilidade da Natureza ser investigada independentemente de uma especulação mais filosófica, sem uma raiz metafísica que lhe investia de significado[9], estabelecendo um divórcio entre método experimental e mera especulação, ou seja: entre a futura ciência moderna e a filosofia. É esta situação que acabou colocando a prática à parte de toda e qualquer teoria – aquela teoria que originalmente significava contemplação.

A partir de então, o ser humano vai mergulhando cada vez mais a sua inteligência e o seu espírito na matéria bruta e informe, na Natureza, em busca de uma razão que antes era compartilhada com o próprio Homem e Deus. A partir de então, diante da sua inteligência, só existe unica e exclusivamente uma Natureza a ser investigada. Neste sentido, vemos que a inclinação à multiplicidade e heterogeneidade do mundo sensível e o esforço para compreendê-lo leva a criação do novo conceito de Natureza mas também ao novo conceito de Homem, que executa de maneira heróica este empreendimento, visto que se descobre com liberdade suficiente para conhecer o mundo por si próprio, através do seu gênio e da sua vontade, sem a intermediação de Deus ou dos astros.

Vemos, assim, que o “quadro de referência” com que se entendia e se interpretava todas as coisas até a Idade Média era de natureza cósmica, isto é, era do tamanho do cosmos[10] – e, dentro deste universo intelectual, a Astrologia se tornava um saber admissível justamente porque a estrutura cósmica era tomada como o modelo, a medida mesma e o critério de entendimento do mundo, se tornando o seu princípio de inteligibilidade. No entanto, tendo o “quadro de referência” mudado a partir da Renascença, isto é, tendo uma ruptura epistemológica se processado, não só o entendimento de mundo se alterou como também a Astrologia deixou de ser concebida como era: um campo do saber.

Se assim for, toda esta sucessão dos fatos indica algo muito mais grave: que a fragmentação da cosmologia que reinou até a Idade Média corresponde ipsis literis à fragmentação dos saberes, isto é, à impossibilidade de vê-los em conjunto, de forma panorâmica e integrada. Infelizmente, a expansão do conhecimento em todos os seus mínimos detalhes pode se dar a prejuízo e a custo do senso de unidade e do todo. É isto que talvez tenha ocorrido a partir da Renascença: enquanto as Ciências da Natureza e as Ciências do Homem passaram a se desenvolver e se sobressair, toda a moldura metafísica e espiritual na qual elas estavam inseridas foi perdida totalmente de vista, se tornando esquecida e, por que não dizer, soterrada. Formamos, nós modernos, uma sociedade e uma cultura cujos saberes não fazem sentido; estão esvaziados de uma significação última que se via até então resguardada pela plena soberania da dimensão metafísica e espiritual.

Toda esta problemática de ordem cultural aponta como solução a retomada do senso de unidade do Todo Cósmico e, por incrível que pareça, quando isto vier a acontecer, talvez a Astrologia se revele como uma grande chave para a compreensão desta problemática, visto que ela sempre vigorou como um princípio de inteligibilidade do mundo. Quando isto vier a acontecer, quem sabe se aquilate o verdadeiro lugar da Astrologia dentro da cultura humana e a importância inadiável de uma discussão mais profunda e séria sobre este assunto.

Ademais, a tentativa de ver toda a produção cultural humana dentro de um único conjunto não só coloca como centro de interesse supremo o entendimento do lugar do Homem dentro do Cosmos como também estimula e desperta discussões que aparentemente não têm nada de astrológico. É o que se pode observar na Carta da Transdisciplinaridade, adotada no Primeiro Congresso Mundial da Transdisciplinaridade, realizado em Portugal em novembro 1994, e redigida por Lima de Freitas, Edgar Morin[11] e Basarab Nicolescu. Alguns de seus artigos, se não são propriamente de natureza astrológica, são de uma investidura louvável:

"Artigo 8: A dignidade do ser humano é também de ordem cósmica e planetária. O surgimento do ser humano sobre a Terra é uma das etapas da história do Universo. O reconhecimento da Terra como pátria é um dos imperativos da transdisciplinaridade. Todo ser humano tem direito a uma nacionalidade, mas, a título de habitante da Terra, é ao mesmo tempo um ser transnacional. O reconhecimento pelo direito internacional de um pertencer duplo - a uma nação e à Terra - constitui uma das metas da pesquisa transdisciplinar;

Artigo 3: A transdisciplinaridade é complementar à aproximação disciplinar: faz emergir da confrontação das disciplinas dados novos que as articulam entre si; oferece-nos uma nova visão da natureza e da realidade. A transdisciplinaridade não procura o domínio sobre as várias outras disciplinas, mas a abertura de todas elas àquilo que as atravessa e as ultrapassa”.

Esta idéia de que há uma ordem capaz de englobar, num único conjunto, os conhecimentos de ordem natural, humana e religiosa é uma idéia propriamente astrológica, senão o seu fundamento. Afinal, qual dos saberes postula a existência de uma ordem que atravessa planos tão diversos, mostrando que há uma analogia e uma identidade de fundo que os iguala? Que saber é este?

Este saber é o saber astrológico.

A Astrologia e suas perspectivas futuras

Tudo isso leva a crer que a Astrologia seja exatamente isto: uma forma de conhecimento que se interpõe entre o Homem e a Natureza numa espécie de confronto especular, com a intenção de interpretá-los sob um mesmo parâmetro. Mas se pode parecer absurdo que o conhecimento astrológico tenha pretendido - ou realizado - isto, deve parecer igualmente absurda qualquer tentativa intelectual de encontrar um ponto de união entre as ditas Ciências Humanas e Naturais, tal como pretendem a interdisciplinaridade e a transdisciplinaridade. E isto porque a Astrologia foi, sem sombra de dúvida, a primeira forma de conhecimento interdisciplinar que o Homem concebeu - daí a sua complexidade. Anular o seu valor e o seu mérito é não reconhecer que aquilo que atualmente o Homem vem tentando conquistar no campo do conhecimento é idêntico ao que pelo menos foi concebido num passado remoto.

Por isso, o tema astrológico não é apenas um resíduo cultural e antropológico que a história possa atestar: é uma ambição intelectual do homem, sempre a ser escrita. E proscrita. E reescrita. Por isto é que ele não pode ser tratado de maneira leviana com vem sendo tratado. Ele não é apenas um tema do passado: é do futuro do Homem, de sua espécie, que procura entrever o lugar que lhe está designado no mundo pelo fato da estrutura cósmica ter estas características e não outras.

A Astrologia é a única disciplina que procura avaliar se há algum sentido entre o universo cósmico & humano, se há uma Razão Maior que rege a ambos. Por isso, somente quem descortina a envergadura do conhecimento astrológico poderá se dar conta do imenso trabalho que ela exige e vislumbrar que toda a sua arquitetura teórica tem a idade de uma civilização, forma de calendário e função de bússola, e que todas suas representações não passam de registros que testemunham os passos e descompassos da espécie humana em sua eterna dança.

Mas, infelizmente, quando o assunto é Astrologia, já se parte da premissa que não há nada de importante a ser discutido; sequer se vislumbra que o recente fenômeno social chamado de Globalização, a recente reestruturação da Geografia e o nível de especulação astronômica que alcançamos coloca a espécie humana frente a uma indagação muito mais ampla pois, se antes bastava saber o lugar do indivíduo na sociedade e depois, com o passar do tempo, se tornou necessário saber o lugar do indivíduo no planeta, resta talvez agora vislumbrar e saber qual é o nosso lugar dentro do espaço cósmico - o que suscita a importância do estudo cosmológico que, querendo ou não, retoma e ressuscita o tema astrológico.

Ademais, tanto a natureza quanto o ser humano sempre foram objetos e campos de profundo interesse e atenção, havendo, entretanto, um único conhecimento que ainda não foi levantado com a sua devida importância: aquele conhecimento que fala exatamente da relação do homem com o mundo e do mundo com o homem, levando isto a seus últimos termos e às suas últimas conseqüências que, de uma maneira muito grosseira, foi e é a tentativa da história e da sociologia e, muito mais recentemente, da ecologia. Num futuro talvez não muito distante, quem sabe tal tentativa chegue e alcance o limite do astronômico. Quando isto acontecer, estaremos inevitavelmente retomando o raciocínio astrológico.

Por isso, quando o Homem se perguntar seriamente sobre o seu lugar no universo e sobre o sentido da sua vida, talvez pare de mirar o céu de forma meramente poética e passe a levantar sérias questões que, para sua surpresa, já foram elaboradas em tempos remotos - mas que nunca tiveram continuidade e o seu devido respeito. E estas questões, queiramos ou não, serão de natureza astrológica.

notas:

[1] SOCIOLOGIA DE MAX WEBER, de Julien Freund, Ed. Forense, 1987.
[2] INDIVÍDUO E COSMOS NA FILOSOFIA DO RENASCIMENTO, de Ernst Cassirer, Ed Martins Fontes, 2001.
[3] CONVÍVIO, de Dante Aliguieri, Ed Guimarães, Portugal, 1987.
[4] durante a Idade Média, os termos astronomia e astrologia eram empregados indiferentemente para designar a mesma disciplina, muito embora já possuíssem conteúdos distintos e passassem a ser estudadas separadamente logo depois. Isidoro de Sevilha (560-635) foi o primeiro a empregar a distinção moderna entre os dois termos nas suas Etymologiae. Para entender o significado que cada uma dessas disciplinas tinha, devemos lembrar que o sufixo “nomos” se reporta às regras e as leis que regulam os fatos ou fenômenos enquanto o sufixo “logos” se reporta a razão ou ao princípio supremo que a tudo engloba e dá sentido - de onde se subentende que a astronomia era a ciência que estudava as leis que regulam os astros, enquanto a astrologia era a ciência que estudava o sentido e o significado maior do arranjo dos mesmos .
[5] PENSAR NA IDADE MÉDIA, de Alan deLibera, Ed 34, 1999 e e TRIVIUM E QUADRIVIUM, de Lênia Márcia Mongelli, Ed Íbis, 1999
[6] A EDUCAÇÃO MEDIEVAL E A FILOSOFIA DE AQUINO – ELEMENTOS PARA COMPREENSÃO DE UMA ASTROLOGIA CRISTÃ, de José Aparecido Celório. Dissertação de mestrado do departamento de Educação da Universidade Estadual de Maringá, PR, 2004.
[7] A PERPECTIVA COMO FORMA SIMBÓLICA, de Erwin Panofsky, Ed. 70, Portugal, 1998 e O MISTÉRIO DAS CATEDRAIS, de Fulcanelli, Ed. 70, Portugal, 1988.
[8] A CULTURA DO RENASCIMENTO NA ITÁLIA, de Jacob Burckhardt, Ed, Cia das Letras, 2003.
[9] AS BASES METAFÍSICAS DA CIÊNCIA MODERNA, Edwin Arthur Burtt, Ed UNB, 1999.
[10] DO MUNDO FECHADO AO UNIVERSO INFINITO, de Alexandre Koyré, Ed Forense Universitária, 2001.
[11] OS SETE SABERES NECESSÁRIOS A EDUCAÇÃO DO FUTURO, de Edgar Morin, Ed Cortez, 2000.